quinta-feira, 21 de julho de 2011

Uma Fagulha na Nau Capitania

De repente eis que surge uma fagulha na nau capitania,
E eis que a tal fagulha atrapalha e dilacera as mais recônditas idéias
E
Pretensões de todos, de todos que ali estavam esperançosos;
Um caos se instaura nas almas e assim sucessivamente cada dominó,
Em seu efeito,
Cai,
Mas o que teria provocado a fagulha?

De qualquer maneira ou outra possível, mesmo recorrendo-se
Á força superiora que se proclama,
As coordenadas sejam quais são elas,
Atrapalham-se e perdem-se e a divagação da nau é inevitável;

Mas assim como a fagulha surgiu, eis que ela desapareceu,
Como um instante que surgiu e desapareceu;


A proliferação de quaisquer esperanças e sentimentos guia imediatamente a um porto não seguro,
A nau capitânia está só, a divagar,
Sem rumo, sem norte, sem consciência;

Apenas divaga,
Com ou sem esperança,
Quem sabe, acabará a atracar m algum ponto desconhecido, mas seguro,
Mas isto nem as equações conseguirão, talvez, mostrar;

E tudo isto por uma fagulha,
Uma mísera fagulha,
Que desguiou esta nau capitânia
Que estava a navegar em águas calmas e conhecidas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A PORTA


A porta se abre,
A colina está nua com o véu que lhe cai,
E a sombria senhora das brisas gélidas nos toca,
Ah, sinto um frio,
A névoa esvoaça-se sobre a minha alma errante,
E
Conclamo as pegadas que um dia guiaram-me;

Mas de joelhos,
Com a névoa que se escapa da boca deste cardíaco,
Sonho, um dia, quem sabe,
Com a Fullana,
Cheia de emoções,
Cheia de desesperanças,
Mas que agora tem um companheiro mesmo que sem saber;
A divagação faz seu papel,
A alma se torna mais errante;

E a colina? Não sei,
Com esta senhora que estende o seu braço,
Tanto branco e gélido como a neve,
Tanto doce e sutil como o peso do floco de neve,
Que cai,
Cai sem parar,
E quanto aos meus olhos,
Bolsos,
Que se enchem,
Mas de sal e lágrimas,
As brisas douradas vêm e esvoaçam-se;

A divagação some,
A dilatação dos vasos nervosos cessa-se,
A implosão ocorre,
Sem mais, sem menos,
E de repente a porta se fecha.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Medo

O medo da tolerância à dor é o que nos aflige,
Aflige a todos o sentimento do perdão sem perdão,
Aflige a todos o real imaginário,
Aflige a todos a luta sem luta, sem dor, sem medo,
O medo da quietude quando tudo está confuso,
O medo do medo sem medo,
O medo da faca que invade as nossas entranhas,
O medo da mediocridade medíocre,
Tenho medo de olhar para trás e questionar
Onde estava o meu medo quando precisei?
Tenho medo de duvidar da minha existência profana
Quando tenho medo de dizer que minto dizendo a verdade,
Para quem?
Para ELE?
Tenho medo de suportar a dor sem dor;

É...

O medo de tolerância à dor é o que nos aflige,
Mas tenho medo da minha sobriedade quando não estou sóbrio,
Aflige a todos e a mim a luta sem luta, sem dor, sem medo,
Aflige a todos o real imaginário,
Aflige a todos o sentimento do perdão sem perdão,
Será que eu existo?
Cartesiano demais?
Tenho medo de duvidar quando divago,
Tenho medo de divagar,
Tenho medo de ter medo,
Tenho medo quando minto dizendo a verdade,
Para quem?
Para ELE?
Tenho medo deste looping infinito;

É...

Tenho medo de ter medo,
Tenho medo de terminar estas palavras e não terminar
E
Finalmente não terei medo
De ter medo
E
Terei medo de morrer negando a minha medíocre existência, mesmo que medíocre,
E ajoelhar diante DELE e dizer:
Não tive medo, pois estou mentindo dizendo a verdade.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

NOVA ERA

Começa uma nova era,
A crença e os mitos não coincidem neste correr pavoroso,
Tenho medo e ele me acompanha nesta marcha,
Caminho solitário nesta trilha sem fim e sem luz,
Onde estou a entrar?
Nos domínios do medo e do desespero da vicissitude?
Abarco mais esta atra concentração momentânea
E
Percebo diante da impossibilidade e da impassibilidade dos destinos diversos
Que
Sou mais uma entidade com a medíocre meditação da existência e da dor;

Cavaleiros, de sangue real,
Poderiam me socorrer como socorrem a um irmão?
Não sei,
Lamento que seja tarde demais para lamúrias;
Lamento que seja tarde demais para castidades sem fins,
Lamento que seja tarde demais para labores, em demasia, dolorosos;

O que faço, senão cavalgar nesta nova era
Que se começa,
Tenho medo e sinto dor,
Mas
Como percebo que sou mais uma entidade com a medíocre meditação da existência e da dor,
Ganho o perdão da eternidade,
E
Assim engano-me.
Começa-se uma nova era?


Crédito da imagem:
http://el-pendragon.blogspot.com/2010/10/caminho-sem-fim.html

sábado, 4 de dezembro de 2010

As conjecturas

A conjectura soberba e fugaz domina qualquer entidade;
Não poderemos nos ajoelhar diante Dele
E dizer: fiz porque me mandaram, fiz porque me fizeram fazer;

Mas como? Se a alma, mesmo que errante,
Pertence a si mesma e não a ninguém mais?

A voz que ecoa dentro de ti
Nada mais é do que o Gênio Maligno que te atormenta,
Obriga-te a lamuriar e a sobrepujar,
Nada mais importa senão a velha rotina mundana,
Perdida,
Medíocre;

Nada mais importa senão o livre arbítrio
Que
Não é tão livre assim.

Sim,
A voz te obriga a conjecturar,
A voz te obriga a suportar tantas e tantas lágrimas
Que
Rolam-se no semblante vazio,
A voz te obriga a ouvir o tilintar dos tic – tacs
Daquele velho relógio que dependurado, e à espreita,
Observa com a sua face alheia o dilatar dos vasos nervosos;

Com a face voltada para a Lua,
Cheia,
Cavalgo nesta aventura que é o de respirar;
Ao meu lado um fóton,
Que ao atirar-se na brecha da colina,
Desapareceu;

Agora,
Chegada a minha hora,
Nada mais faço senão ajoelhar-me diante de Ti
E
Dizer: fiz porque me mandaram, fiz porque me fizeram fazer,
Nada me resta senão conjecturar
E
Perceber que nada mais fiz e nada mais sei do que ser um perdido espaço vazio.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sem Título

Toma!
te entrego esta flor,
me serve um palito de fósforo com o qual acendo um cigarro;
Por que você observa a ponta que se queima?
O tic-tac do relógio e o som das lágrimas que se rolam de seus olhos
brincam com o esvoaçar da fumaça;

De repente o medo invade o meu corpo;
Em vão tento me ajoelhar,
pedir súplicas desesperadas
para aquela que me levará;

Mas, calada, chegou num silêncio medonho,
E, agora,
sorri enquanto chora,
e à espreita observa-me sentir o ultimo calor
fazer o seu papel;
sinto-me bem;

Mas acordo e volto a observar esta flor,
em suas mãos;
Ela me espera,
paciente,
sorridente,
chorosa;

Com o cuco a despertar,
te entrego esta flor: Toma!
Porque é chegada a minha hora.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Rapsódia sobre o tema de “Invictus”*


Nos caminhos errantes da alma,
Soergue-se uma força oculta que abate e fere,
Gravemente,
A alma dos homens;
Sentem-se impelidos a buscar a comodidade
E a luxúria do apoio, aparentemente desconexo,
Daqueles que fortes proclamam-se;
Reinvidicam o poder do ultimo gole de vinho, mas,
No entanto, apunhalam-se, engalfinham-se mais.

Tudo está perdido como a saída inexistente do poço seco,
Sem água,
Gradativamente os homens sentem-se pequenos,
Esmagados, dilacerados;
Não compreendem que o fim, em sua ânsia,
Espreita-os com um leve sorriso.

O grande poder proclamado observa,
Com grande serenidade,
O amargo sangue escorrer pelas narinas;
A energia esvai-se, o paradigma é destruído,
Os joelhos no chão.

O gosto da perda torna-se mais intenso,
E agora, o fim está próximo;
As cabeças, chocalhos,
Os corpos, carnes dilaceradas,
As almas, errantes,
O fim, próximo, mas digno;
Minimamente restam-lhes alguns segundos.


Como a luzes que se acendem,
Como a energia que volta,
Levantam-se e finalmente percebem,
Apesar de tudo,
O “mundus invictus” que carregam dentro de si e
De como podem sim proclamar:
Sim, nós podemos,
Sim, nós somos capitães de nossas almas.





*Poema “Invictus” de William Ernest Henley, escrita em 1875 e primeiramente publicado em 1888. Ele foi escrito quando Henley estava internado e acamado num hospital.