quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Os Barcos

O azul escuro e nublado é único
Do mar e do céu,
Presencia os barcos, em seus balanços,
Em ressonância com as ondas
Que
Vêm e vão,
O Sol, já se foi e alguns pequenos movimentos,
Das sombras,
Notam-se,
No horizonte,
Alguns pequenos pontos luminosos se fazem,
Surgem um a um
E
Assim me parece que a noite chega; 

Mas e os barcos?
Estão à espera incansável de seus patrões,
No dia seguinte,
Madrugada anunciada,
Terão os seus motores ligados
E
O cheiro de óleo diesel,
Que alimenta os seus sonhos,
Invadirá as narinas deste mar imenso,
Solitariamente,
Estão ancorados, acorrentados,
Alguns adquirem direções de olhares ao sabor da brisa que sopra,
Trazendo o cheiro, a imensidão
E
O “ser” do mar secretamente anunciado para quem quiser observar,
De repente,
Um deles me olha e suplica serenamente,
Sofro de compaixão
E
Tomo-me em seu lugar,
O que estão a pensar estes solitários barcos?
O que estão a sentir estes solitários barcos?

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Uma Manhã

Nas pálidas cores da alvorada do amanhecer,
Uma Manhã,
O Sol nasce e emite as suas radiações,
E aquelas radiações incidem no olhar vazio daquele que o observa,
Não só a ele, mas o horizonte, mas as nuvens, mas o céu,
O frio instiga a contração dos músculos,
Uma quantidade de vapor sai da boca, como fumaça branca,
E o fechar dos olhos é inevitável. 
O que pensará aquela mente que ainda discorda do novo começo?
O que surgirá depois desta música?
O que o "entra e sai do ar" nos pulmões provocará? 
Diante do ardor das narinas frente ao ar frio,
A mente mapeia e delineia todos os movimentos do dia. 
Soerguem-se pegadas que imediatamente se apagam como pegadas nas areias de uma praia cheia de ventos,
E os movimentos cessam-se.
Apenas isto,
Fótons brincando,
Nuvens passando,
O horizonte surgido claramente,
A esta altura, o céu riscado por cores não mais pálidas,
Vivas,
Vermelhas. 
E os olhos se abrem,
Estão vivos,
E os pensamentos voltam,
Vivos,
Os movimentos surgem,
A vida delineia-se.
A mente faz as pazes com o novo começo,
A vida ressurge,
Como aquele dia,
Um novo começo,
O vapor da boca desaparece,
O calor incide nos olhos agora vivos,
Sim, muito vivos. 
Trata-se de Uma Manhã.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Apontador de Lápis Abandonado em Cima da Mesa


Ao perceber as entidades que estavam alheias ao meu redor,
Deparei-me com um apontador,
De início, estava alheio também, mas logo, percebi que a sua
Longa espera e a sua presença inusitada
Não estavam ao acaso abandonadas,
Mas o que faria este apontador,
Numa posição de abandono?
O que faria este apontador, numa deslocada presença?
Ao examinar as entidades,
Elas deixam-se transparecer,
Deixam-se medir ao sabor das circunstâncias,
E logo percebemos
Que
As suas presenças não são tão ao acaso;

Mas este apontador intriga a minha alma,
Com a sua presença inexplicável,
Com a sua presença deslocada,
Com a sua presença misteriosa;

A certeza primeira é que se encontra em estado de solidão;

Solitário, espera,
Que alma hedionda tê-lo-ia deixado aqui?
Mas a outra certeza única é que só lhe resta esperar,
Só lhe resta permanecer alheio,
Até o instante em que se revelar,
Pelo misterioso ato da redenção,
A sua essência,
A sua serventia,
A sua glória.

O Passado, O Presente e O Futuro


Houve um instante no passado o qual o chamávamos de presente,
Há um instante no presente no qual estamos,
Haverá um instante no futuro no qual o presente será passado,
E,
Hoje que é o presente será o passado e aquele instante que hoje é o futuro,
Será o presente,
Podemos viver e morrer nos três instantes,
E,
Nossos atos insanos podem ecoar nesses três instantes,
Tudo depende de como torná-los coesos e corretos,
Insanos,
Porém,
Coesos e corretos,
Como vivemos e tornamos os nossos instantâneos atos dignos de serem lembrados e citados?
Como agimos para nos tornarmos cada vez melhores?
Como atribuir qualidades extraordinárias e ferrenhas à nossa conduta?
Os três instantes estão conectados,
E,
Isso assombra a mais errante alma,
Mas para caminharmos, para corrermos, para sorrirmos,
O que fazemos?
A dúvida que outrora servira de ferramenta cartesiana,
Hoje,
É a ferramenta que mais assombra,
Será que os atos são realmente necessários? Não os pensamentos, os atos.
Será que os atos corresponderão afirmativamente àqueles que gostariam que você os praticasse? Serão eles bondosos? Não os pensamentos, os atos.
Será que os atos trarão conseqüências significativas para os três instantes? Serão eles verdadeiros? Não os pensamentos, os atos.
Sim, os atos foram, são e serão sempre necessários, minimamente excluindo aqueles que causem discórdia ou rancor,
Sim, os atos foram, são e serão sempre bondosos, minimamente trarão instantes de felicidade para aqueles que amamos,
Sim, os atos foram, são e serão sempre verdadeiros, de nossa alma,
Assim, vivemos, viveremos, caminhamos e caminharemos,
A nossa conduta foi, é e será ferrenha e fomos, somos e seremos melhores,
E os nossos atos foram, são e serão dignificados,
Lembrados,
Coesos e corretos,
E,
Podemos e poderemos morrer e contemplar o horizonte da eternidade,
Porque,
Vivemos e viveremos dignos,
Morremos e morreremos dignos,
No passado, no presente e no futuro.

 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Amargura


O amargo sabor do dissabor se aproxima de minha boca,
Sinto a quimera ser sobrepujada pela dor e pela desgraça,
O que fiz para merecer tamanha convicção do eterno sentimento
Da perda e da dor?

Esta amargura está mais clara agora,
Sinto que deixo este corpo mundano
E
Transfiro-me para a eterna luz que cavalga,
Cavalga sem a fronteira à sua frente;

Mas o que leva um mundano a sonhar com o impossível
Desejo de descansar se
Sequer cansou?
Mas o que leva um desmerecedor a desejar a morte
Sem sequer as atitudes que o fazem a merecer?

Caminho, então, nesta solitária trilha da desesperança,
Caminho de mãos dadas com a escuridão dos olhos de um indolente cego,
Para onde vou? Para onde foram as idéias?

Amargo esta amargura eterna,
Amargo este dissabor da lentidão, da dor e da desgraça,
Unifico as tristezas,
E fujo,
Desta terrível persuasão do aparente esclarecedor
Que
Não passa de um enganador;

Esclareci em minha recôndita alma dilacerada o que quero,
O que desejo,
E assim consigo, com o ultimo fio de energia,
Transformar, finalmente,
Este engano em amargura,
Companheira fiel pelo horizonte da eternidade.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Pensamento

Por entre as montanhas douradas,
Caminha a minha alma errante,
Levo duzentos anos, mas percebo,
Que orar a quem mais me ouvirá será seguir a sagrada escritura,
A sagrada caminhada da descoberta;

Uma infinita distância pela qual se propaga a onda sonora se forma à minha frente,
Caminho,
Sinos se desdobram e tilintam fazendo-se acontecer o Efeito Doppler;

Continuo a minha caminhada e descubro algo em meus instintos,
As montanhas conversam comigo e assim os relampejos das descargas elétricas das partículas elementares prosseguem,
Num outro tempo, eu teria desistido;

A história mostra quem tais acontecimentos existiram e acontecem,
As batidas anunciam a chegada de alguma entidade que se revelou nas pegadas soerguidas das colinas;

As sombras se juntam,
As penumbras se formam,
Espelhos e eclipses surgem,
Estou à beira do caminho;

Oro para aquele que mais me ouvirá
E sigo esta caminhada da descoberta,
Sigo a sagrada escritura,
Por entre essas montanhas douradas,
Caminho,
Neste Pensamento.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Do pó virá o pó e transformar-se-á em ossos,
Que se chacoalharão dentro de um saco de pele, carne e sangue;

Não é verdade que o esqueleto sustentará uma estrutura pobre,
Sem alma e sem dor,
Sustentará, sim, a amarga estrutura de agonia,
Com uma alma dilacerada,
Com dor que lhe invadirá sem pudor ou licença;

Viver com a sensação de procura...viver?
Quem vive do gosto amargo do vomito e da saliva a escorrer
Realmente é um nato sobrepujado pela vergonha e pela miséria,
Quem vive do gosto da mentira e da calúnia
Realmente é um nato rato da discórdia;

Aliviando a divagação deste pobre saco de pele, carne e sangue,
Surge uma estafaca que lhe invade as entranhas,
O vento sopra e introduz uma serena harmonia,
Um brilho reluzente e o fóton se perdem atrás da colina;

De repente quando menos se espera,
Um terrível frio invade lhe o corpo
E
Traz consigo um forte calafrio,
Do fim e do descanso;

O vento continua a cantar e a entoar cânticos obtusos,
As diagonais do Universo Fantasma surgem,
Vozes, antes interrompidas, surgem novamente,
E a estrutura pouco a pouco se desmorona;

Do pó virá o pó,
Mas depois de tudo, da dança da miséria,
Da dança da discórdia,
O pó virar-se-á pó,
Pois o pó reinvidicará o pó.

sábado, 23 de julho de 2011

The Grid ***

“The Grid,
A digital frontier,
I tried to picture clusters of information as they move through the computer,
What did they look like? Ships? Motorcycles? Were the circuits like freeways?
I kept dreaming of a world I thought I’d never see;
And then, one day, I got in…” ***

After that,
I saw a dream,
I saw a shadow covering me as a blanket in a cold day,
I saw an impossible way,
A way to run and seek my lost soul;

But why did I get in?
I forgot over passed years,
Perhaps I turned in an Android,
But even the androids can, sometimes, feel their souls;

In this infinite looping in which one I have lost myself,
I could see a lightning Achenbach’s picture,
“A Sunset after a Storm on the Coast of Sicily”;

Ah, the clusters of information,
Yes,
Now I can see them,
Now I can feel them,
In this Grid,
In this parallel Universe,
I kept dreaming of the solutions of my problems,
But the answer was No;

God?
I don’t know where he is…
I don’t know where I am…
But suddenly I know,
I discovered,
The clusters of information: they look like ships,
Ships in imaginary oceans,
With giant waves,
Who arrive in this frontier of my mind, the grid.

***Title and Passage extracted from The movie "Tron: Legacy".

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Uma Fagulha na Nau Capitania

De repente eis que surge uma fagulha na nau capitania,
E eis que a tal fagulha atrapalha e dilacera as mais recônditas idéias
E
Pretensões de todos, de todos que ali estavam esperançosos;
Um caos se instaura nas almas e assim sucessivamente cada dominó,
Em seu efeito,
Cai,
Mas o que teria provocado a fagulha?

De qualquer maneira ou outra possível, mesmo recorrendo-se
Á força superiora que se proclama,
As coordenadas sejam quais são elas,
Atrapalham-se e perdem-se e a divagação da nau é inevitável;

Mas assim como a fagulha surgiu, eis que ela desapareceu,
Como um instante que surgiu e desapareceu;


A proliferação de quaisquer esperanças e sentimentos guia imediatamente a um porto não seguro,
A nau capitânia está só, a divagar,
Sem rumo, sem norte, sem consciência;

Apenas divaga,
Com ou sem esperança,
Quem sabe, acabará a atracar m algum ponto desconhecido, mas seguro,
Mas isto nem as equações conseguirão, talvez, mostrar;

E tudo isto por uma fagulha,
Uma mísera fagulha,
Que desguiou esta nau capitânia
Que estava a navegar em águas calmas e conhecidas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A PORTA


A porta se abre,
A colina está nua com o véu que lhe cai,
E a sombria senhora das brisas gélidas nos toca,
Ah, sinto um frio,
A névoa esvoaça-se sobre a minha alma errante,
E
Conclamo as pegadas que um dia guiaram-me;

Mas de joelhos,
Com a névoa que se escapa da boca deste cardíaco,
Sonho, um dia, quem sabe,
Com a Fullana,
Cheia de emoções,
Cheia de desesperanças,
Mas que agora tem um companheiro mesmo que sem saber;
A divagação faz seu papel,
A alma se torna mais errante;

E a colina? Não sei,
Com esta senhora que estende o seu braço,
Tanto branco e gélido como a neve,
Tanto doce e sutil como o peso do floco de neve,
Que cai,
Cai sem parar,
E quanto aos meus olhos,
Bolsos,
Que se enchem,
Mas de sal e lágrimas,
As brisas douradas vêm e esvoaçam-se;

A divagação some,
A dilatação dos vasos nervosos cessa-se,
A implosão ocorre,
Sem mais, sem menos,
E de repente a porta se fecha.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Medo

O medo da tolerância à dor é o que nos aflige,
Aflige a todos o sentimento do perdão sem perdão,
Aflige a todos o real imaginário,
Aflige a todos a luta sem luta, sem dor, sem medo,
O medo da quietude quando tudo está confuso,
O medo do medo sem medo,
O medo da faca que invade as nossas entranhas,
O medo da mediocridade medíocre,
Tenho medo de olhar para trás e questionar
Onde estava o meu medo quando precisei?
Tenho medo de duvidar da minha existência profana
Quando tenho medo de dizer que minto dizendo a verdade,
Para quem?
Para ELE?
Tenho medo de suportar a dor sem dor;

É...

O medo de tolerância à dor é o que nos aflige,
Mas tenho medo da minha sobriedade quando não estou sóbrio,
Aflige a todos e a mim a luta sem luta, sem dor, sem medo,
Aflige a todos o real imaginário,
Aflige a todos o sentimento do perdão sem perdão,
Será que eu existo?
Cartesiano demais?
Tenho medo de duvidar quando divago,
Tenho medo de divagar,
Tenho medo de ter medo,
Tenho medo quando minto dizendo a verdade,
Para quem?
Para ELE?
Tenho medo deste looping infinito;

É...

Tenho medo de ter medo,
Tenho medo de terminar estas palavras e não terminar
E
Finalmente não terei medo
De ter medo
E
Terei medo de morrer negando a minha medíocre existência, mesmo que medíocre,
E ajoelhar diante DELE e dizer:
Não tive medo, pois estou mentindo dizendo a verdade.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

NOVA ERA

Começa uma nova era,
A crença e os mitos não coincidem neste correr pavoroso,
Tenho medo e ele me acompanha nesta marcha,
Caminho solitário nesta trilha sem fim e sem luz,
Onde estou a entrar?
Nos domínios do medo e do desespero da vicissitude?
Abarco mais esta atra concentração momentânea
E
Percebo diante da impossibilidade e da impassibilidade dos destinos diversos
Que
Sou mais uma entidade com a medíocre meditação da existência e da dor;

Cavaleiros, de sangue real,
Poderiam me socorrer como socorrem a um irmão?
Não sei,
Lamento que seja tarde demais para lamúrias;
Lamento que seja tarde demais para castidades sem fins,
Lamento que seja tarde demais para labores, em demasia, dolorosos;

O que faço, senão cavalgar nesta nova era
Que se começa,
Tenho medo e sinto dor,
Mas
Como percebo que sou mais uma entidade com a medíocre meditação da existência e da dor,
Ganho o perdão da eternidade,
E
Assim engano-me.
Começa-se uma nova era?


Crédito da imagem:
http://el-pendragon.blogspot.com/2010/10/caminho-sem-fim.html

sábado, 4 de dezembro de 2010

As conjecturas

A conjectura soberba e fugaz domina qualquer entidade;
Não poderemos nos ajoelhar diante Dele
E dizer: fiz porque me mandaram, fiz porque me fizeram fazer;

Mas como? Se a alma, mesmo que errante,
Pertence a si mesma e não a ninguém mais?

A voz que ecoa dentro de ti
Nada mais é do que o Gênio Maligno que te atormenta,
Obriga-te a lamuriar e a sobrepujar,
Nada mais importa senão a velha rotina mundana,
Perdida,
Medíocre;

Nada mais importa senão o livre arbítrio
Que
Não é tão livre assim.

Sim,
A voz te obriga a conjecturar,
A voz te obriga a suportar tantas e tantas lágrimas
Que
Rolam-se no semblante vazio,
A voz te obriga a ouvir o tilintar dos tic – tacs
Daquele velho relógio que dependurado, e à espreita,
Observa com a sua face alheia o dilatar dos vasos nervosos;

Com a face voltada para a Lua,
Cheia,
Cavalgo nesta aventura que é o de respirar;
Ao meu lado um fóton,
Que ao atirar-se na brecha da colina,
Desapareceu;

Agora,
Chegada a minha hora,
Nada mais faço senão ajoelhar-me diante de Ti
E
Dizer: fiz porque me mandaram, fiz porque me fizeram fazer,
Nada me resta senão conjecturar
E
Perceber que nada mais fiz e nada mais sei do que ser um perdido espaço vazio.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sem Título

Toma!
te entrego esta flor,
me serve um palito de fósforo com o qual acendo um cigarro;
Por que você observa a ponta que se queima?
O tic-tac do relógio e o som das lágrimas que se rolam de seus olhos
brincam com o esvoaçar da fumaça;

De repente o medo invade o meu corpo;
Em vão tento me ajoelhar,
pedir súplicas desesperadas
para aquela que me levará;

Mas, calada, chegou num silêncio medonho,
E, agora,
sorri enquanto chora,
e à espreita observa-me sentir o ultimo calor
fazer o seu papel;
sinto-me bem;

Mas acordo e volto a observar esta flor,
em suas mãos;
Ela me espera,
paciente,
sorridente,
chorosa;

Com o cuco a despertar,
te entrego esta flor: Toma!
Porque é chegada a minha hora.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Rapsódia sobre o tema de “Invictus”*


Nos caminhos errantes da alma,
Soergue-se uma força oculta que abate e fere,
Gravemente,
A alma dos homens;
Sentem-se impelidos a buscar a comodidade
E a luxúria do apoio, aparentemente desconexo,
Daqueles que fortes proclamam-se;
Reinvidicam o poder do ultimo gole de vinho, mas,
No entanto, apunhalam-se, engalfinham-se mais.

Tudo está perdido como a saída inexistente do poço seco,
Sem água,
Gradativamente os homens sentem-se pequenos,
Esmagados, dilacerados;
Não compreendem que o fim, em sua ânsia,
Espreita-os com um leve sorriso.

O grande poder proclamado observa,
Com grande serenidade,
O amargo sangue escorrer pelas narinas;
A energia esvai-se, o paradigma é destruído,
Os joelhos no chão.

O gosto da perda torna-se mais intenso,
E agora, o fim está próximo;
As cabeças, chocalhos,
Os corpos, carnes dilaceradas,
As almas, errantes,
O fim, próximo, mas digno;
Minimamente restam-lhes alguns segundos.


Como a luzes que se acendem,
Como a energia que volta,
Levantam-se e finalmente percebem,
Apesar de tudo,
O “mundus invictus” que carregam dentro de si e
De como podem sim proclamar:
Sim, nós podemos,
Sim, nós somos capitães de nossas almas.





*Poema “Invictus” de William Ernest Henley, escrita em 1875 e primeiramente publicado em 1888. Ele foi escrito quando Henley estava internado e acamado num hospital.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Os Fantasmas

Os Fantasmas estão à solta,
Brincam, dilaceram, perduram-se por um longo tempo;

Pergunta-se se algo aconteceu no caminho para o céu e,
Unissonamente reagem, indignados,
Nada mais fazem se não a de reivindicar os seus direitos;

Uma voz ecoada ao longe provoca ressonâncias,
Pouco a pouco, somos solidários com o grito,
Que
Escapa-se da boca de um fantasma;
Os ossos, repentinamente, chocalham-se,
E
O que podemos perceber é que somos um saco de retalhos
Que se passa despercebido;

Morri,
E de agora em diante estarei mais próximo de mim mesmo,
De agora em diante poderei escrever versos
Sem a mínima pretensão de contentar os outros
Ou
De assombrar a minha alma;
Estou com ela agora, a minha alma;
De agora em diante viverei a morte,
De agora em diante poderei ouvir as reivindicações
Dos fantasmas,
Pois
Na ultima instância provocaram uma ressonância tão intensa,
Tão intensa
Que
Pudemos captar as ondas que a provocaram;

Os fantasmas,
Sou um deles;

Não, não, não.
Acordo e percebo que tudo foi um sonho,
Tudo não passou de uma medonha fúria,
Mas percebo assombrado que eles não existem,
Não estão à solta,
Não brincam,
Não dilaceram,
Na verdade estão dentro de nós,
E nestes ultimos versos percebo que são eles que nos fazem crer que o pó reinvidica o pó.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A Tempestade

O som agudo dos relâmpagos,
A luz grave dos trovões,
Tudo se aproxima, silenciosamente,
As nuvens escuras, em geral,
E as coloridas que se deslocam mais à direita,
Anunciam a chegada da tempestade,
Ao fundo, podemos ver a clareza do horizonte,
Pouco a pouco as primeiras gotas de água caem, timidamente;

O vento, esse colosso de massa de ar, traz consigo muitas folhas das árvores secas
Que
Dançam conforme se sopram, incansavelmente,
Os mecanismos secretos da Mãe Natureza;

Nefastamente se segue o espetáculo,
As gotas, agora, são grossas, são pesadas, são arbitrárias,
Anoitece e o que se vê é apenas a escuridão
Que
Guarda, consigo os segredos das trilhas do meio da floresta;

Os animais se escondem,
As luzes dos casebres do campo piscam,
Finalmente, apagam-se e rendem-se aos mais fortes levantes elétricos,
Acabam-se tudo,
Afinal, é noite,
As pessoas dormem diante da impassibilidade de um punhado medíocre de mobílias;

A tempestade passa, acaba-se,
E o que se vê são pequenas luzes, ao horizonte,
Dos casebres,
Que vagarosamente se acendem novamente,
As pessoas sonham enquanto a grande dança das nuvens,
A grande dança dos ventos,
A grande dança assoprada dos mecanismos da Mãe Natureza
Procuram um novo palco,
E tudo se aquieta.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Poema da Propaganda do Johnnie Walker com Andróide

Eu (o andróide) sou mais rápido do que você,
Eu sou mais forte que você,
E, com certeza, vou durar muito mais que você;

Você pode pensar que eu sou o futuro,
Mas está errado,
Você é o futuro,
Se eu pudesse desejar alguma coisa,
Desejaria ser humano,
Para saber o que significa
Ter sentimentos, ter esperanças, ter angústias, dúvidas, amar;

Eu posso alcançar a imortalidade, basta não me desgastar,
Você também pode alcançar a imortalidade,
Basta fazer apenas uma coisa notável...



PARA QUEM QUISER VER A PROPAGANDA:
http://www.youtube.com/watch?v=D57NTsAfhCY

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Poema da Propaganda da Associação Desportiva para Deficientes

A Ciência diz que o cérebro humano tem 100 bilhões de neurônios,
A Ciência diz que os neurônios são as células responsáveis pela condução dos impulsos nervosos,
A Ciência diz que os impulsos nervosos têm a função de transmitir estímulos para os músculos,
A Ciência diz que os músculos devem obedecer às ordens dos neurônios;

Mas o que a Ciência diz, os meus 100 bilhões de neurônios fazem questão de ignorar,
Porque para mim, o que move uma pessoa não são os músculos,
É a Força do Pensamento.


PARA QUEM QUISER VER A PROPAGANDA:
http://www.youtube.com/watch?v=-_RapOuTrmY

sábado, 20 de dezembro de 2008

Os Barcos (Segunda Versão)

Que incansável luta foi travada por estes barcos para chegar a esta praia?
A este seguro porto?
Solitariamente,
Agora,
Os barcos descansam,
Afinal,
Lutaram para chegar,
Mas o importante é que descansam lado a lado,
Apenas entidades cósmicas foram testemunhas
De suas incansáveis lutas;

Respiram, aliviados,
O ar etílico que os rodeia,
Observam a sua frente uma areia fria e escura,
Atrás o grande oceano,
Desconhecido,
Vencido,
Que
Até o último momento tentou vencer-lhes,
Até o último segundo tentou perpetuar-lhes
O caos, o obscurantismo e o desânimo,
Mas não conseguiu;

Afinal são estes os vencedores,
Batalhadores que enfrentaram esta tempestade cósmica,
Que lutaram contra quaisquer forças ocultas desconhecidas,
Que enfrentaram ondas e oscilações gigantescas;

Mas o mais importante é que agora estão juntos,
Estão lado a lado,
Interagem-se,
Estão felizes;

Com este “fluxum delirium”,
Percebem que valeu, de fato, à pena,
Que no final de uma grande tormenta,
Encontraram o equilíbrio e o amor entre eles,
Encontraram e compreenderam, lado a lado,
O real e verdadeiro significado de tudo isso
E
Até, quem sabe, de suas próprias existências.